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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

"A arquitectura combina arte e técnica, criatividade e ciência, sonho e números, utopia e realidade"

Engraçado hoje ler este artigo sobre Arquitectura e os Arquitectos. Ontem dizia eu para a minha Mãe: - Nós somos um incompreendidos. Ainda pensam que as ideias nos saem da cabeça e que não temos que uma componente teórica como base. (...) e continuava eu nas minhas lamurias de Arquitecta - Ser humano incompreeendido pela sociedade.

O que é certo é que todos querem ser Arquitectos (mesmo sem o serem), seja de Interiores, ou Paisagistas, todos têm uma opinião. Loucos ou não, Utópicos ou não, Mais Lunáticos ou menos... Gostei de ler este artigo do jornal sol e por isso aquí o partilho... 


"A arquitectura combina arte e técnica, criatividade e ciência, sonho e números, utopia e realidade.

Terminei há pouco umas pequenas obras numa moradia no Algarve, adquirida em circunstâncias heróicas no Verão de 1978. Como o dinheiro não abundava, comprei-a juntamente com os outros membros da família da minha mulher (os pais dela, os quatro irmãos e respectivos cônjuges). Passámos lá férias históricas, com miúdos a dormir por todos os cantos da casa. Mas na vida tudo muda. A pouco e pouco alguns foram vendendo as suas partes - até só ficarmos dois: eu e o meu cunhado Rui Silva, que conheço desde os 10 anos, pois fomos da mesma turma no Liceu D. João de Castro, do primeiro ao sétimo anos.
Ao contrário da maior parte das pessoas, gosto imenso de obras. É magnífica a sensação de ver surgir, em pedra e cal, aquilo que começou por surgir dentro da nossa cabeça e depois se registou no papel. É isto que torna fascinante a profissão de arquitecto. É talvez a profissão mais bonita que existe - e a mais completa.
Para começar, junta duas coisas que em geral andam separadas e frequentemente estão em conflito: a arte e a técnica. Esta associação de arte e técnica tornava-se patente para nós logo no início do curso de Arquitectura: nos dois primeiros anos, umas aulas tinham lugar na velha Escola de Belas-Artes de Lisboa, ao Chiado, e outras na Faculdade de Ciências, na Rua da Escola Politécnica, ao Rato. Logo aí ficava clara a duplicidade da profissão.
A arquitectura é uma arte - porque é criação, porque é uma estética dos espaços e das formas; mas também é uma técnica - porque um edifício é uma entidade tecnicamente complexa, desde a estrutura que o suporta a todas as instalações que integra: electricidade, água, esgotos, climatização, redes telefónicas e de TV, etc.

E tudo tem de se conjugar e funcionar bem.
Não basta, na verdade, conceber um edifício belo, proporcionado, que se integre bem na paisagem urbana ou rural; é preciso que esse edifício funcione a vários níveis.
Para começar, tem de ser tecnicamente viável e seguro. Depois tem de proporcionar conforto a quem o usa. Só pode dizer-se que um edifício é bom quando é agradável viver nele ou trabalhar nele. E para isso contribui muita coisa de que as pessoas nem sequer se apercebem: a proporção dos espaços e respectivos materiais, as relações das divisões entre si, as zonas em que os espaços se subdividem, as transições interior-exterior. Tudo isto é importante para fazer o utilizador feliz (ou infeliz).
Quantas vezes gostamos de estar num sítio sem percebermos bem porquê - ou, pelo contrário, nos sentimos desambientados, desconfortáveis sem sabermos as razões? Mas um arquitecto tem de saber porquê e ser capaz de criar sítios agradáveis.
Diz-se frequentemente que o curso de Filosofia é aquele que melhor prepara as pessoas para pensar. Discordo. A Filosofia favorece e disciplina o raciocínio especulativo. Mas a Arquitectura estabelece a ponte entre a criação e a realidade. Um edifício não existe antes de estar construído. Uma bela ideia em Arquitectura não vale por si: só vale se puder ser concretizada - e se, depois de concretizada, funcionar correctamente do ponto vista técnico, artístico, psicológico e de utilização.
Na Arquitectura as ideias têm de ser testadas na vida quotidiana.
Combinando arte e técnica, criatividade e ciência, sonho e números, utopia e realidade, a arquitectura é uma actividade sui generis.
Ao executar uma obra, um arquitecto tem de levar em conta mil coisas. Cada traço que faz no papel tem implicações em todo o conjunto. Uma alteração na medida de uma janela pode determinar mexidas em todo o edifício.
Porque um projecto bem feito deve respeitar uma regra de ouro: a coerência. O percurso de um projecto - desde a concepção geral da obra e sua integração no meio até a pormenores como o desenho de uma porta ou a escolha de um puxador - é um exercício de coerência. A altura de um rodapé tem de ser coerente com a altura da sanca, e a altura desta não é independente da largura dos aros das portas.
O arquitecto vai criando, concebendo, mas sempre numa linha de respeito por uma ideia - de modo a que o resultado final seja esteticamente consistente e tecnicamente inatacável. Quando é o arquitecto a desenhar também o mobiliário, tem de o fazer de maneira a que se integre perfeitamente no espaço que concebeu, como se aqueles móveis sempre tivessem ali estado.
Por esta necessidade de coerência e de articulação de componentes muito diversas, a profissão de arquitecto é aquela que, a meu ver, exige mais disciplina mental.
Um edifício é um mundo em si próprio - e ao criá-lo o arquitecto aproxima-se de Deus.
Nenhuma outra profissão como a arquitectura exige um domínio tão completo e simultâneo de tantas variáveis - e a sua integração lógica.
Um edifício bem projectado dá gosto ver: um edifício onde nos apeteça entrar, onde nos sintamos bem, confortáveis e à vontade, que nos proporcione recantos tranquilos, que tenha espaços de transição agradáveis entre o interior e o exterior nos quais possamos gozar simultaneamente da protecção do edifício mas já das delícias do espaço livre.
No interior do edifício as relações entre as divisões devem ser lógicas, o espaço deve fluir sem solavancos nem inflexões bruscas. Não devemos precisar de andar à procura do interruptor porque ele está no sítio óbvio, tal como a tomada para ligar o candeeiro ou o carregador do telemóvel.
Num edifício bem projectado as escadas sobem-se sem grande esforço, porque os degraus têm as medidas certas. A luz é boa, sem ser de mais nem de menos, quer a natural quer a eléctrica. As cores não nos agridem mas também não resultam demasiado esquálidas, como as de um hospital. O som não é desagradável, porque existem superfícies absorventes (notemos, por exemplo, que falar ao telefone numa casa de banho é incómodo, pois produz um irritante eco).
Os materiais devem ser bem escolhidos, polidos ou baços, quentes ou frios, consoante os usos e as situações. E as relações entre eles têm de ser muito bem controladas.

Um edifício é um gigantesco puzzle. Mas um puzzle a quatro dimensões - porque tem comprimento, largura e altura, como uma estátua, mas tem mais uma dimensão que é o espaço interior.
Uma estátua é para admirar por fora; um edifício é para admirar a partir de fora mas também observar por dentro - e permitir que lá se viva agradavelmente.
É esta a grande diferença. A arte, em geral, frui-se; a arquitectura experimenta-se, vive-se.
É isso que dá à arquitectura uma dimensão incomparável - e que torna ao mesmo tempo difícil e fascinante a profissão de arquitecto".
Tags: Opinião, Viver para contar, José António Saraiva, Política a Sério


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Pontes flutuantes para as Maldivas concebidas por arquitecto luso-holandês

Marcadores: Arquitectura , Portugal
Jorge Moura está a desenvolver um projecto para a construção de duas pontes flutuantes para uma nova ilha no arquipélogo das Maldivas.

"Um arquitecto luso-holandês é também o principal responsável por um projecto de construção de duas pontes flutuantes no arquipélago das Maldivas. Para além das pontes, também cabe a Jorge Moura a concepção do design dos edifícios que vão ser construídos na nova ilha.O projecto inclui, também, a construção de uma área comercial com um shopping aberto, apartamentos de luxo, uma zona de restauração, um resort, uma praia e ainda uma marina. A nova ilha vai ficar ligada às ilhas Male e Tilafushi pelas duas pontes (uma com 330 metros e outra com 1400 metros).

Jorge Moura refere que o desenvolvimento deste projecto implica "que o design tenha em conta tanto os desafios de construção, como o impacto ambiental", mantendo-se, ao mesmo tempo, "dentro do orçamento disponível." A original estrutura flutuante das pontes deve-se ao facto de o mar, que circula as ilhas, ser muito profundo, detalha o arquitecto. A construção de pilares implicaria, assim, não só um custo maior, mas também um impacto mais negativo no ambiente. "No futuro, o conceito das duas pontes flutuantes pode ser utilizado para ligar as restantes ilhas do arquipélogo, e, assim, preservar as qualidades das Maldivas", esclarece.

Pode parecer complicado, mas o arquitecto luso-holandês afirma que a construção das pontes flutuantes não é o mais difícil. O que exige um maior esforço é "manter as pontes nos seus locais e estáveis em caso de tempestades". "Isto consegue-se com recurso a vários cabos especiais, presos no fundo do mar", assegura. O arquitecto prevê que o projecto para a nova ilha leve alguns anos a concretizar-se, pois está dividido em quatro fases. "A primeira fase já está concluída", refere Jorge Moura, "e vamos agora arrancar com um plano para a fase dois".

Preocupação com o meio ambiente
O trabalho desenvolvido pelo arquitecto luso-holandês já foi premiado com o NET 2010 - Prémio Nacional Energia do Futuro. O galardão foi atribuído ao arquitecto que, juntamente com Syb van Breda, projectou a construção do edifício da Escola de Engenharia da Universidade de Haia, em Delf, na Holanda. Este prémio foi importante para o artista, pois distingue trabalhos de sustentabilidade ambiental, assunto a que Jorge Moura é sensível. "A arquitectura é, só por si, uma prática tão destrutiva que devemos fazer tudo o que podemos fazer para minimizar o impacto negativo no meio ambiente", entende.
A preocupação com o impacto no ambiente também está sempre presente neste novo projecto para as Maldivas. Para além das pontes flutuantes, grande parte dos edifícios vão ser construídos de forma a evitar a utilização de um sistema de arrefecimento e também o centro comercial será aberto, para permitir a ventilação natural.
Apesar do tempo e da exigência que o projecto para uma nova ilha nas Maldivas representa, o arquitecto luso-holandês vai conceber um novo edifício de uma embaixada na Índia no início do próximo ano, dedicando-se, ao mesmo tempo, a um projecto no Vietname e outro em Angola."

Por Tânia Monteiro - jpn@icicom.up.pt
Publicado: 26.10.2010
18:59 (GMT)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

MANUEL TAINHA

No próximo dia 27 de Outubro de 2010 vai ter lugar na Universidade Lusíada de Lisboa a conferência "cinco obras à procura de uma Ideia" :: O conferênciasta é um grande nome da Arquitectura Portuguesa :: Manuel Tainha .

Pelas 18h30m no Auditório 4
Rua Quinta do Almargem, nº 14 b
Entrada Livre

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

inauguração Trienal de Arquitectura

Foi no passado sábado que teve lugar no Museu da Electricidade a inauguração da Trienal de Arquitectura de Lisboa. Podemos dizer que toda a Elite da Arquitectura esteve presente. O grupo da Lusíada não ganhou o concurso mas ficou feliz ao ver o seu trabalho exposto.
Seguem-se algumas fotos do evento.






fotos: Equipa Lusíada Lisboa com o Coordenador + Maquete e painel
créditos: Alexandra Luís e Alberto Vieira

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ARTE ROSEIRO

COMO O NATAL ESTÁ A CHEGAR... DEVAGARINHO MAS NÃO TARDA LÁ ESTAMOS... DEIXO-VOS AQUÍ UM BLOG COM BASTANTES IDEIAS DE PRESENTES DE NATAL.
VISITEM   http://arteroseiro.blogspot.com/

Trienal de Arquitectura de Lisboa

"O Museu Berardo, o Museu da Electricidade e o Museu do Chiado vão inaugurar exposições entre quinta-feira e sábado para falar de casas, o tema central da segunda edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa.


“Falemos de Casas/Let´s Thalk About Houses” é o mote que suscitou projectos, concursos, conferências e exposições, a principal delas com inauguração prevista para quinta-feira, às 19:30, no Museu Colecção Berardo, em Belém.


Em cerca de três mil metros quadrados do museu o público poderá descobrir “Falemos de Casas: Entre o Norte e o Sul”, com comissariado de Manuel Graça Dias, Ana Vaz Milheiro, Pedro Pacheco, Luís Santiago Batista, Peter Cook e Diogo Seixas Lopes.


Esta mostra emblemática do evento incidirá sobre as condições de habitação e novas soluções encontradas na especificidade das várias regiões do globo, tendo como pontos de partida experiências como “A Casa do Futuro” (1956), de Alison e Peter Smithson, e o projeto SAAL (1976) (Serviço de Apoio Ambulatório Local), movimento de arquitectos portugueses contra o bloqueamento da gestão territorial.
Além desta exposição, o Museu da Electricidade, também em Lisboa, irá acolher duas exposições com base em concursos lançados pela Trienal: “Falemos de Casas: Projecto Cova da Moura”, um concurso para estudantes de arquitectura e arquitectura paisagista, e “A House in Luanda: patio and Pavillion”, concurso internacional para conceber projectos de casas para pessoas carenciadas.


O primeiro, que busca soluções para a complexa situação do bairro da Cova da Moura, tem como comissário o arquitecto Manuel Aires Mateus e o segundo, que desafia à criação de proposta de uma casa familiar a baixos custos para Luanda, tem como comissário o arquitecto João Luís Carrilho da Graça.


De acordo com o director executivo da Trienal, José Mateus, o concurso internacional recebeu mais de 600 propostas de arquitectos de todo o mundo, “uma dimensão de participação da qual não há memória noutro concurso de arquitectura lançado em Portugal”.

Outra exposição, intitulada “Falemos de Casas: Quando a arte fala arquitectura”, comissariada por Delfim Sardo, será montada no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, em Lisboa, sobre a apropriação, por parte 40 artistas, de linguagens arquitectónicas."

ESPERO QUE VEJAM A EXPOSIÇÃO E QUE A EQUIPA DA LUSÍADA DE LISBOA SEJA A VENCEDORA.

domingo, 10 de outubro de 2010

fado vinho e guitarradas

No passado sábado descobri um lugar mt simpático para sair com os amigos e (para quem gosta) beber um bom vinho do porto, um moscatel, comer uns petiscos e ouvir Fado. Quem quer paga o vinho a copo, quem quer compra uma garrafa, bebe o que quer e traz o resto para casa. Foi na rua do Norte que encontrei o Grapes&Bites. Com uma decoração tipo "Taberna Portuguesa", é um espaço agradável e como não podia deixar de ser, estava cheio. As guitarradas é que não eram ao vivo, mas ouviu-se Camané, Carminho, Mariza... Uma hora bem passada, depois de jantar na famosa "Adega da Barroca". Após 1 ano sem lá passar, tudo continua na mesma... O restaurante cheio, a D. Celeste que parece ser muito boa pessoa mas muito refilona para o pessoal que por lá vai jantar, o típico bolo de bolacha que peço sempre acompanhado de um café para que na mesa eu o possa regar... Ou seja, o Bairro Alto continua sempre no seu melhor...

Mais informações em: http://www.grapesandbites.com/